Úrsula (1859), de Maria Firmina dos Reis: o pensamento decolonial na literatura brasileira do século XIX
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v24iEspecial.9327Palavras-chave:
Maria Firmina dos Reis, Decolonialidade, Literatura brasileira, Literatura Latino-americanaResumo
O uso literário da palavra, como veículo de ideias e de discursos, é uma prática concreta do poder da linguagem do qual temos exemplos notáveis entre os escritores do nosso continente, em especial, em relação ao cultivo do pensamento decolonial (DUSSEL, 1993) e a busca pela descolonização das mentes, das identidades e do imaginário latino-americano (FLECK, 2017). Nesse sentido, no espaço literário brasileiro, destaca-se uma mulher escritora, professora, negra e abolicionista que soube valer-se desse poder para imprimir sua visão e seu posicionamento político e ideológico frente à escravização decorrente da colonialidade, expressando-se, no século XIX, contrária a essa prática desumana. A obra selecionada para nossas reflexões é o romance Úrsula, de 1859, da escritora maranhense Maria Firmina dos Reis. Por meio da revisão bibliográfica e da análise literária, realizamos considerações sobre a escrita de caráter decolonial (DORADO MENDEZ, FLECK, 2022) presente na escrita dessa romancista e refletimos, também, sobre o uso do texto literário como via à exposição do pensamento feminino e do papel da mulher no espaço latino-americano. São fundamentos teóricos para isso as reflexões de Mignolo (2017), Quijano (1997), Guerra (2007), Lopez (2020), Uber (2022), entre outros. Destacamos, assim, o pioneirismo de Reis na expressão do pensamento decolonial entre as mulheres negras latino-americanas frente à escravização e à exploração do ser humano.
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