Quando a oralidade chega à escrita: o apagamento do /R/ em infinitivos verbais em textos escolares

Autores

  • Eveline Souza Messias Universidade Estadual de Feira de Santana
  • Mariana Fagundes de Oliveira Lacerda Universidade Estadual de Feira de Santana

Resumo

Diversos fenômenos de variação linguística presentes na oralidade são comumente transferidos para a escrita, principalmente durante o período de escolarização. Isso revela que inúmeros desvios na escrita podem ser resultado de interferências de processos fonológicos que refletem a heterogeneidade da língua. O presente artigo apresenta os resultados de um estudo sobre o apagamento do /R/ em infinitivos verbais em textos escolares. O corpus da pesquisa foi constituído de textos escritos por alunos do 9º ano do Ensino Fundamental II de uma escola pública. Para fundamentação teórica, buscou-se respaldo em autores como Bortoni-Ricardo (2005; 2006; 2010), Cagliari (2000), Callou, Moraes e Leite (1996; 1998), Mollica (2003), Morais (2000), Possenti (2008), Silva (2013), entre outros. Acreditamos que o estudo realizado tenha servido para suscitar reflexões acerca da relação entre processos fonológicos, variação linguística e aprendizagem da escrita no contexto escolar.

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Publicado

2022-12-28

Como Citar

Messias, E. S., & Lacerda, M. F. de O. (2022). Quando a oralidade chega à escrita: o apagamento do /R/ em infinitivos verbais em textos escolares. A Cor Das Letras, 23(3), 249–269. Recuperado de https://periodicos.uefs.br/index.php/acordasletras/article/view/5001

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